12 Abril 2011

Idealizações de uma sociedade doente

Durante essas semanas de notícias minimamente diferentes ao nosso cotidiano, vejo que há uma dose cavalar de insanidade nas atitudes das pessoas que buscam desorientadas respostas para o acontecimento principal, o atentado terrorista na escola de Realengo.
Porém nessa busca insana e sem sentido noto com pesar que o homem desorientado consegue ser pior que em seu juízo “perfeito”.

Que coisas eu vi que puderam denotar essa parafernália de sentimentos? Selecionei três pontos principais para mostrar o meu ponto de vista, segue-se:

1 – A criação de um herói;

Com o Cristianismo surgiu a dualidade, o mundo deixa de ser amplo para se dividir em dois, bem e mal, naturalmente nascem então o herói e o vilão, não existem mais seres humanos dotados de inteligência e poder de decisão, nem pessoas com problemas psico-mentais; apenas heróis e vilões.

Com o surgimento do “vilão” Wellinton houve a necessidade imediata do surgimento do herói... Claro! A visão dualista não permite que haja um ser humano com sentimentos e problemas que acabem resultando numa atitude insana em ataque gratuito a sociedade, permite apenas o malfeitor (melquior na versão Chaves), ao qual nasce com esse objetivo e já maquina planos desde o útero.

Mas voltemos ao herói, quem poderia ser? Há uma indefinição mortal, então surgem duas vertentes, as que nomeiam o policial que atingiu o atirador e aos garotos que fugiram e chamaram o policial. Ora vemos uma vertente, ora vemos outra, mas me parece que a do policial está se tornando predominante, afinal é “o homem que NASCEU para nos proteger e daria sua vida por nós”.

2 – Caça aos demais malfeitores que auxiliaram direta ou indiretamente o atirador;

Após alguns dias, já se saía a notícia da prisão dos homens que venderam as armas para o atirador. “Crápulas, canalhas! Foram eles que deram a foice mortal que ceparia a vida das pobres crianças.”
Há então uma pergunta que surge em minha mente: E o quico? (mais certamente “e o quique”).

O que eles tem a ver com isso além de venderem armas como provavelmente sempre fazem, para qualquer indivíduo? Eles sabiam do que ia acontecer? Não. Eles venderiam mesmo assim se soubessem? Não sei.

O que me diverte nisso é que diariamente dezenas de armas são vendidas para dezenas de pessoas por dezenas de vendedores, pegar os dois coitados que acabaram por vender para o atirador vai mudar algo? Essa eu deixo para você responder.

3 – Ataques violentos aos familiares do atirador;

Isso foi o que mais me deixou envergonhado. O muro da pobre e desafortunada família do Wellinton pichado com dizeres: “assassino”. Como se ele morasse lá (Se não me engano nem lá ele vivia mais). Como se ainda estivesse vivo para sofrer esses ataques impensados.
E a família, que já sofre com a própria situação e por se sentirem culpados (sem ajuda de ninguém) pelo acontecimento e por não terem visto antes e procurado evitar, ainda têm que lidar com animais que, sem sentido algum, depredam e hostilizam os pobres coitados que nada devem senão uma penitência particular, exclusivamente pessoal, ao qual cada um tem o direito de escolher para si.

Dói ver que o ser humano só consegue reagir á violência cometendo ainda mais violência; numa sociedade onde a classe média é incrivelmente violenta e vingativa, buscando “soluções” que por vezes ultrapassam o próprio ato do infrator.

Encerrando.


Senhoras e senhores, a mídia escolhe o que você odiará e amará na próxima temporada, assim que esse assunto tiver esgotado procurarão outra coisa para sugar, para fazê-los odiar, e assim vão vivendo, amando o que mandam, odiando o que impõem... Pobre sociedade.

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