Durante essas semanas de notícias minimamente diferentes ao nosso cotidiano, vejo que há uma dose cavalar de insanidade nas atitudes das pessoas que buscam desorientadas respostas para o acontecimento principal, o atentado terrorista na escola de Realengo.
Porém nessa busca insana e sem sentido noto com pesar que o homem desorientado consegue ser pior que em seu juízo “perfeito”.
Que coisas eu vi que puderam denotar essa parafernália de sentimentos? Selecionei três pontos principais para mostrar o meu ponto de vista, segue-se:
1 – A criação de um herói;
Com o Cristianismo surgiu a dualidade, o mundo deixa de ser amplo para se dividir em dois, bem e mal, naturalmente nascem então o herói e o vilão, não existem mais seres humanos dotados de inteligência e poder de decisão, nem pessoas com problemas psico-mentais; apenas heróis e vilões.
Com o surgimento do “vilão” Wellinton houve a necessidade imediata do surgimento do herói... Claro! A visão dualista não permite que haja um ser humano com sentimentos e problemas que acabem resultando numa atitude insana em ataque gratuito a sociedade, permite apenas o malfeitor (melquior na versão Chaves), ao qual nasce com esse objetivo e já maquina planos desde o útero.
Mas voltemos ao herói, quem poderia ser? Há uma indefinição mortal, então surgem duas vertentes, as que nomeiam o policial que atingiu o atirador e aos garotos que fugiram e chamaram o policial. Ora vemos uma vertente, ora vemos outra, mas me parece que a do policial está se tornando predominante, afinal é “o homem que NASCEU para nos proteger e daria sua vida por nós”.
2 – Caça aos demais malfeitores que auxiliaram direta ou indiretamente o atirador;
Após alguns dias, já se saía a notícia da prisão dos homens que venderam as armas para o atirador. “Crápulas, canalhas! Foram eles que deram a foice mortal que ceparia a vida das pobres crianças.”
Há então uma pergunta que surge em minha mente: E o quico? (mais certamente “e o quique”).
O que eles tem a ver com isso além de venderem armas como provavelmente sempre fazem, para qualquer indivíduo? Eles sabiam do que ia acontecer? Não. Eles venderiam mesmo assim se soubessem? Não sei.
O que me diverte nisso é que diariamente dezenas de armas são vendidas para dezenas de pessoas por dezenas de vendedores, pegar os dois coitados que acabaram por vender para o atirador vai mudar algo? Essa eu deixo para você responder.
3 – Ataques violentos aos familiares do atirador;
Isso foi o que mais me deixou envergonhado. O muro da pobre e desafortunada família do Wellinton pichado com dizeres: “assassino”. Como se ele morasse lá (Se não me engano nem lá ele vivia mais). Como se ainda estivesse vivo para sofrer esses ataques impensados.
E a família, que já sofre com a própria situação e por se sentirem culpados (sem ajuda de ninguém) pelo acontecimento e por não terem visto antes e procurado evitar, ainda têm que lidar com animais que, sem sentido algum, depredam e hostilizam os pobres coitados que nada devem senão uma penitência particular, exclusivamente pessoal, ao qual cada um tem o direito de escolher para si.
Dói ver que o ser humano só consegue reagir á violência cometendo ainda mais violência; numa sociedade onde a classe média é incrivelmente violenta e vingativa, buscando “soluções” que por vezes ultrapassam o próprio ato do infrator.
Encerrando.
Senhoras e senhores, a mídia escolhe o que você odiará e amará na próxima temporada, assim que esse assunto tiver esgotado procurarão outra coisa para sugar, para fazê-los odiar, e assim vão vivendo, amando o que mandam, odiando o que impõem... Pobre sociedade.
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